I for one welcome our robot overlords

Screen capture of Data as Sherlock Holmes, from a Star Trek: The Next Generation episode

Na época em que saiu o filme de Moneyball, lembro de ter comentado com o Francisco que achava que o Billy Beane tinha sido covarde em não aceitar a proposta do Red Sox. Porque para mim era óbvio que, cedo ou tarde, outros times começariam a também usar sabermetrics e a qualidade dos times voltaria a ser, mais vezes do que não, diretamente proporcional ao tamanho da folha de pagamento. Obviamente, foi o que aconteceu*.

Tempos depois, numa conversa com o Cappra sobre mídia programática e análise preditiva, e como criativos estavam ficando com medo de robôs e testes A/B, também comentei que achava que eles não só estavam errados em ter (embora fosse bem razoável entender que tivessem) medo, como deveriam estar felizes com a situação. Por causa de algo muito bem resumido por esse artigo do Felix Salmon, na Wired:

It’s increasingly clear that for smart organizations, living by numbers alone simply won’t work. That’s why they arrive at stage four: synthesis—the practice of marrying quantitative insights with old-fashioned subjective experience. Nate Silver himself has written thoughtfully about examples of this in his book, The Signal and the Noise. He cites baseball, which in the post-Moneyball era adopted a “fusion approach” that leans on both statistics and scouting. Silver credits it with delivering the Boston Red Sox’s first World Series title in 86 years.

Cedo ou tarde (e do jeito que as coisas andam, é cada vez mais cedo), o mercado se adapta à ruptura causada pelas estatísticas e suas incríveis ferramentas. E seja porque existe um uso exagerado e cego disso, ou simplesmente porque todo mundo usa as mesmas ferramentas e estratégias, chega uma hora em que o famoso fator humano volta a ser o diferencial. Com a grande vantagem, porém, de agora esse fator atuar em um ecossistema focado em e capaz de medir eficácia. Ou seja, se fosse um criativo (e mesmo sendo um planejador), eu ficaria feliz com coisas como o Watson.

*Como a única pessoa que corre o risco de ler esse post e entender de beisebol é exatamente o Francisco, é importante notar nesse asterisco que: eu sei que a maior folha salarial da MLB é do Yankees e desde 2000 eles só ganharam uma World Series. Porém, o Yankees também é, possivelmente, o time mais teimoso e “old school” da liga (ou era até a morte do Steinbrenner pai) com esse tipo de coisa.

3 responses to “I for one welcome our robot overlords”

  1. Cisco says:

    Essa é mais ou menos a tese do Tyler Cowen no novo livro dele: que os grandes vencedores dos avanços tecnológicos vão ser as pessoas que têm instintos e habilidades que complementam a análise da máquina, como os enxadristas que são relativamente melhores no freestyle do que em um jogo tradicional.

    Fora isso, sabermetrics é um campo tão vasto e complexo que é um erro achar que sua adoção elimina as falhas de mercado. Sempre vai haver alguma oportunidade não explorada, a diferença é que agora elas são mais sutis e têm pior relação custo-benefício. A folha de pagamento recupera parte de sua importância nessa história, mas não toda.

    (E eu não entendo de beisebol, que absurdo essa afirmação.)

    • solonbro says:

      tu gosta de estatística o suficiente pra conhecer alguma coisa sobre beisebol, pelo menos o bastante para saber que o Yankees tem a maior folha salarial da liga por larga margem e que desde o início do século está longe de ser uma máquina de títulos.

      • Cisco says:

        Verdade, verdade.

        Acho que o beisebol é a metáfora errada para o resto do mercado de trabalho, justamente por ser tão fácil analisá-lo estatisticamente. São muitos eventos discretos em que um indivíduo de um time enfrenta outro com poucos resultados possíveis. Outros esportes coletivos, como basquete e futebol, seriam modelos melhores. Se fosse fazer uma apresentação sobre o assunto, por exemplo, é o que usaria, e não só porque ninguém fora dos EUA e do Japão sabe o nome de mais de dois times de beisebol.

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