Baader-Meinhof: nudes edition

The Atlantic, sobre os nudes do Jeff Bezos:

If the blackmail allegations are true, it seems as if AMI’s math was a little off on exactly how scandalous a few racy photos are at this point in America’s smartphone saturation, and how much an already powerful person could be harmed by their revelation.

Sete anos atrás, projeto da Confraria Onanista (é uma história em quadrinhos, mas vou copiar um pedaço dos textos):

Se todas as pessoas do mundo batessem uma foto com um pau na boca, o fellatio não seria considerado pervertido ou degradante. Se todos tiverem um registro online com um membro sexual masculino em seu rosto, não haverá mais preconceito. Só um click e seremos todos iguais.

As mídias sociais vão acabar com a democracia

Inside the Weird, Dangerous World of Japan’s Girl ‘Idols’, no Daily Beast:

What Yamaguchi Maho and the other idols have done by coming out now is groundbreaking. You would’ve never seen this before in the old days with Onyanko Club [a mega idol group in the 1980s]. It would’ve been career suicide. Really, social media has allowed for this to happen.”

China Deletes 7 Million Pieces of Online Information, Thousands of Apps – no NY Times.

Control of the internet has tightened under President Xi Jinping – an effort that has accelerated since 2016, as the ruling Communist Party seeks to crack down on dissent in the booming social media landscape.

Já é 2019 na Austrália

Num ano em que resolvi retomar, ainda que de forma muito leve, o costume de blogar por aqui, achei por bem também retomar um formato de listas de fim de ano que usei em 2014 e muito me agrada: listar apenas o preferido em uma série de categorias diferentes.

Como sempre, a única regra é que não precisa ser algo que foi lançado esse ano, mas que eu tenha consumido pela primeira vez em algum de seus 365 dias. Assim, sem mais delongas, a ela.

Filme: Nanette

Para mim, foi um ano razoavelmente fraco de filmes, o que em nada tira o mérito do especial de stand up da Hannah Gadsby. Claro, do ponto de vista fílmico nada mais é do que uma apresentação filmada. Mas em se tratando do conteúdo, desde a forma como ela vai desmontando e remontando as ferramentas humorísticas até a destreza com que faz uma avalanche de críticas sociais, foi certamente a produção audiovisual que mais tive vontade de recomendar a absolutamente todo mundo durante o ano. Então, nada mais natural para abrir esta lista.

Série: The Good Place

É praticamente como se o Randall Munroe fosse filósofo em vez de físico, e virasse roteirista de TV em vez de desenhar o XKCD. Tão difícil crer que não vá pular o tubarão em algum momento, como que já não tenha pulado lá na primeira temporada. Enquanto não o faz, é humor da mais alta qualidade imaginável (e não me lembro do Ted Danson ser um ator tão fora de série em nenhuma outra coisa que tenha feito na vida).

Canal YouTube: Adam Neely

Para mim, ele está fazendo pelos vídeos de teoria musical no YouTube (uma categoria surpreendentemente vasta) o que o Casey Neistat fez pelos vlogs. Mais do que apresentar uma variedade de assuntos dentro do tema de forma clara e interessante (como os igualmente indispensáveis Rick Beato e 12 Tone), em sua incansável curiosidade ele tem criado uma linguagem única de ensaios em vídeo que acho fantástica.

Música: Stella Blue (by Local Natives)

É uma versão de 2016 para uma música do Grateful Dead de 1973. Parte de um tributo ao Dead, desde que o Spotify me presenteou com ela em algum Discover Weekly, essa música tem frequentado meus fones de ouvido com mais frequência que qualquer outra durante o ano. Inclusive, recomendo muito ouvi-la com ótimos fones de ouvido, repletos de graves mas com clareza nos médios e agudos, para poder apreciar ao máximo o jogo de canais das diferentes camadas de instrumentos no incrível arranjo que fizeram. Infelizmente, do que já ouvi da banda depois disso, não há nada remotamente tão bom no resto da discografia.

Álbum: Love, Loss, and Auto-Tune (by Swamp Dogg)

Ouvi esse disco aos 45 do segundo tempo, novamente graças a um Discover Weekly do Spotify (e olha que eu passei quase o ano inteiro criticando o algoritmo da mesma, porque tenho a impressão de que por uns 10 meses ela ficou tocando apenas indie-folk de diferentes eras, de Simon & Garfunkel a Lumineers). Nunca tinh’ouvido falar nesse “bad boy do R&B”, que na década de 70 ouviu Frank Zappa e resolveu introduzir experimentalismos e psicodelias ao seu som e criou coisas prá lá de incríveis no processo. Esse disco, em especial, tem alguns dos melhores usos de Auto-Tune que já ouvi, além de uma malemolência que muita gente tenta mas poucos conseguem transformar em música.

Quadrinhos: (A ser atualizado – estou longe de casa e preciso conferir minha prateleira para ter certeza do que li esse ano e evitar alguma grande injustiça)

Livro: Sapiens (by Yuval Noah Hariri)
Sim, estou atrasado. Mas, de fato, é um livro excelente. Com a proposta de contar a história da humanidade como espécie, ele acaba se colocando numa posição de distanciamento muito maior do que o de livros de história comuns, deixando os julgamentos sobre lados positivos e negativos dos acontecimentos quase como notas de rodapé, e fazendo um livro pra lá de bom de ler.

Longform: “My father says he’s a ‘targeted individual’. Maybe we all are“. (WIRED)
Illustration from Wired's article
Tentar procurar sentido ou razão em coisas que claramente não as têm, como a doença mental de alguém, raramente gera bons resultados. Mas nesse texto, essa proposta acaba sendo invertida, e as analogias servem não para buscar alguma redenção para um personagem trágico, mas para questionar o quanto não estamos todos agindo como loucos e achando tudo normal. Ainda uma premissa que poderia gerar um texto forçado e idiota, mas que nas mãos de uma excelente repórter (e, tenho certeza, editores igualmente excelentes) acaba sendo só felicidade para ler.

Videogame – Fortnite

Talvez a escolha mais óbvia e sem graça da lista, mas não tinha como fugir. Verdade seja dita, ainda sem ter feito a mudança para a última geração de consoles (sigo com meu leal e valoroso PS3) e com um PC que está nos seus últimos suspiros (lá se vão 10 anos desde sua compra), não joguei tanto quanto gostaria nesse ano. Mas a Epic conseguiu achar um equilíbrio tão bom entre diversão e desafio num estilo de jogo pra lá de complicado de fazer bem, que não é de se espantar que tenha dado tanto dinheiro esse ano.

Cerveja (Brasileira): Vrienden & Cachaça

https://www.instagram.com/trilhacervejaria/

O mais correto talvez fosse citar “melhor cervejaria brasileira” e dar o título para a minha ex-vizinha Trilha. Mas tendo que escolher uma entre todas as delícias deles que tive o prazer de provar nesse ano (e não canso de lembrar que TODAS as cervejas que já tomei deles, e não foram poucas, são no mínimo ótimas), essa RIS em colaboração com a de Molen foi a merecedora da taça. Devia ter feito uma compilação de fotos com o rosto de todas as pessoas que vi prová-la pela primeira vez, e nada mais precisaria ser dito sobre o quão boa é. Aguardado com muita ansiedade pelas maravilhas que sairão do mesmo forno ao longo de 2019, como membro do seu Barrel Club.

Nuvens! Nuvens por todos os lados!

via GIPHY

Bom textão (®SZJINKARIUK, Saulo) no The Verge sobre os recentes processos contra a Epic de pessoas que tiveram suas danças “roubadas” para serem usadas no Fortnite. Por um lado, estou curioso para ver as interpretações jurídicas que daí irão sair. Por outro, confesso que é o tipo de situação que aumenta a pressão sanguínea da minha veia liberal.

Antes mesmo do Fortnite, a Epic já era uma das empresas de jogos mais rica do mundo graças à popularidade do Unreal Engine e a taxa que cobram de quem vende seus jogos baseados no sistema (sem falar em todos seus jogos próprios). Agora, têm tanto dinheiro que podem queimar parte dele para criar a primeira concorrência séria à Steam. Em resumo, têm MUITA grana, e boa parte dessa grana vem do licenciamento de seus produtos e propriedade intelectual.

Agora imaginem se, diante dessa realidade, alguém com o devido poder de decisão pensasse “hmm, como eu vou cobrar por essas danças e ganhar um tsunami de dinheiro com isso, quem sabe eu aproveito para incentivar os criadores e a indústria que me permitiram isso para começo de conversa, e pró-ativamente ofereço uma participação nos lucros para os mesmos?” Razoável, talvez? Questão de decência, até, quem sabe?

“Ah, mas e quem garante que eles iam aceitar o valor oferecido pela empresa? Quem pode provar que foram eles que a criaram? E quem foi que disse que eles têm algum direito sobre uma dancinha? Não esqueçamos que Milton Friedman falou que a única responsabilidade social de uma empresa é aumentar seus lucros” grita a dogmática libertária na primeira fila da sala.

Pois muito bem, ela com certeza tem um ponto. Mas esse ponto tem alguns resultados práticos outros além de potencializar o lucro da Epic num primeiro momento, como vemos—inevitável litígio sendo só o mais óbvio e imediato deles. A eventual má vontade de uma comunidade de criadores e usuários, outra talvez igualmente óbvia mas não tão imediata. Mas a que realmente me tira do sério é o incentivo à visão de que empresas são construtos do mal e que só o Estado, com a ameaça de seu monopólio da violência, pode proteger as pobres pessoas da ganância dos ricos.

Tenho certeza que a mesma libertária seria a primeira da classe a reclamar da politização jurídica, do excesso de litígio e do controle da economia, diante de situações como essa. E que, afinal de contas, é só deixar as coisas quietas que o mercado as resolve.

Mas será que, quem sabe, talvez, o Judiciário e o litígio não sejam exatamente maneiras de o mercado resolve-las? E que em vez de ficar citando uma das maiores bobagens que o Milton Friedman já falou, talvez fosse o caso de lembrar que para o liberalismo funcionar como previsto é preciso criticar e envergonhar empresas quando essas não se comportam de forma decente, e não achar que tudo que uma empresa faz é correto a priori e qualquer reclamação em contrário é coisa de floco de neve comunista autoritário anti-democrático?

Enfim, de minha parte, fica a torcida para que a Epic não só resolva essas cobranças por via extra-judicial, como já fez no passado, mas oficialize algum programa de parceria para com esses criadores.